Cientistas do Laboratório de Desenvolvimento e Inovação (LDI) do Instituto Butantan criaram nanopartículas de prata com alta eficácia no combate ao parasita Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose, e às larvas do mosquito Aedes aegypti, transmissor de dengue, zika e chikungunya.

As nanopartículas são formadas a partir de uma reação entre compostos do fungo Aspergillus tubingensis e sal de prata, eliminando patógenos em ambientes aquáticos sem causar danos ao ecossistema local, como a morte de microcrustáceos e peixes. Os resultados foram publicados na revista Environmental Science: Nano, do Royal Society of Chemistry.

Como funciona a nanotecnologia verde

Sob coordenação da pesquisadora Ana Olivia de Souza, o estudo envolveu também o pesquisador Edison Barbieri, do Instituto de Pesca de São Paulo, e o doutorando Luiz Gustavo Ribeiro. O trabalho utiliza o secretoma do fungo, que promove a formação das nanopartículas de forma sustentável, sem o uso de reagentes químicos tóxicos. Ana Olivia explica que as nanopartículas apresentaram a maior atividade biocida e antimicrobiana entre os fungos avaliados.

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Resultados no combate à esquistossomose

A esquistossomose afeta mais de 200 milhões de pessoas globalmente e é endêmica em várias regiões do Brasil. A pesquisa demonstrou que as nanopartículas eliminam 100% das cercárias do S. mansoni em apenas duas horas. Ana Olivia destaca que, ao invés de exterminar a população de caramujos, as nanopartículas atacam diretamente as larvas, interrompendo o ciclo de transmissão da doença.

Efeito sobre o mosquito Aedes aegypti

Além do combate à esquistossomose, os pesquisadores testaram as nanopartículas contra larvas do Aedes aegypti, mostrando resultados promissores. Após 48 horas de exposição, as nanopartículas impediram que as larvas atingissem a fase adulta, o que é crucial para controlar a proliferação do mosquito. Ana Olivia menciona que essa abordagem é uma alternativa viável em um cenário de resistência a inseticidas químicos tradicionais.

Os pesquisadores acreditam que a nanotecnologia verde pode ser uma solução eficaz e sustentável para o controle de doenças transmitidas por vetores e parasitas, sem prejudicar o meio ambiente.